A roupa esportiva também pode beneficiar o seu desempenho

Enviado em Sem Categoria de admin | 23 de Maio de 2007 @ 10:37
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Fonte: Site Webrun

Roupa adequada - benefícios para seu desempenho

Tecido tecnológico

Para obter uma boa performance o atleta precisa treinar, ter uma alimentação balanceada, fazer exercícios complementares, entre outros. Pelo menos é isso que todos os treinadores pregam. Afinal, o esporte é composto por diversos fatores, que se utilizados da maneira correta resultam em ótimas provas e treinos. Mas você já parou para pensar que a roupa pode ser um desses fatores importantes?

A roupa de treino usada no nordeste no mês de julho, por exemplo, não é a melhor roupa para a pessoa que treina na mesma época do ano no sul do Brasil. Por isso, os atletas mais antenados devem dar uma atenção especial no vestuário da corrida.

A pele é o maior órgão do corpo humano, responsável por 90% da troca térmica do homem e por 85% da evaporação do suor. Na corrida precisamos muito da nossa pele, porque eliminamos o suor e regulamos a temperatura do nosso corpo.

Por isso não adianta treinar de baixo de sol com uma camiseta de algodão. O corpo irá eliminar o suor e o algodão irá segura-lo. Apesar de ser uma fibra natural, o algodão retém 8% do suor, o que causa aquela sensação de desconforto, além de deixar a camiseta úmida.

Para amenizar esse tipo de problema, que pode parecer pouco, mas numa prova de longa distância atrapalha, a indústria têxtil desenvolve a cada dia os famosos tecidos ditos tecnológicos. Na verdade não há nenhuma fórmula secreta e especial nas camisetas que usam esse tipo de tecido. A tecnologia está na maneira como esse produto é construído, ou melhor, no fio usado e na forma como é tramado.

A primeira vista pode parecer algo complicado, mas não é. Segundo o consultor da tecelagem Santaconstancia, José Favilla, a roupa pode e deve ser feita para ajudar o atleta. “Hoje em dia o que é importante é o corpo humano e não a tecnologia. Através dos relatos dos esportistas construímos um tecido que pode ajudá-lo. Antigamente era ao contrário, criavam a tecnologia e depois buscavam um corpo”, conta. “Por isso muitas vezes não dava certo”, acrescenta.

Para ele existem três fatores básicos que são levados em conta na hora da elaboração de um tecido: isolamento térmico e troca de ar, absorção e transporte de umidade e sensação de conforto na pele.

Tipos de fio

No mercado brasileiro é possível encontrar camisetas tecnológicas feitas de tecidos sintéticos, como o poliéster e a poliamida. Estes buscam atingir os três fatores básicos apresentados. Mas para Favilla, a poliamida é melhor que o poliéster.

O fio de poliamida tem a capacidade de absorver o suor em 4%, enquanto o poliéster não chega em 1%. E se a camiseta de poliamida for feita com uma trama mais aberta, o tecido irá “puxar” o suor do seu corpo e através dos buracos da trama irá elimina-lo mais facilmente. Isso significa que o atleta não ficará encharcado durante a corrida.

Mas como identificar um fio de poliamida ou poliéster? A única maneira de ver é através da etiqueta. No Brasil todas as confecções são obrigadas a discriminar na etiqueta da roupa a composição do tecido. Normalmente as camisetas tecnológicas, como o Dri Fit e o Thermodry são feitas de 100% poliéster ou 100% poliamida.

“Uma camiseta de poliamida tem um toque mais agradável, além de ser mais macia, absorvente e leve”, conta Favilla.

Microclima

O grande desafio da indústria têxtil é fazer com que o seu corpo atinja o microclima ideal através do vestuário. Segundo Favilla, o microclima é a temperatura que fica entre a pele e a roupa. E este deve ser sempre 32ºC.

Assim as roupas de calor devem ser feitas para amenizar a temperatura do corpo. Já as de frio devem aumentar o microclima. “No frio o atleta deve usar uma roupa corta-vento”, aconselha. Para esse vestuário a indústria têxtil usa a estrutura de tecelagem, porque a trama dos fios é fechada.

“Se você correr numa temperatura muito baixa com roupas inadequadas, você corre o risco de ter uma hipotermia. O seu corpo irá produzir muito calor e o mesmo será perdido rapidamente. Assim você não ficará aquecido”, conta. “Por isso dependendo da intensidade do frio, o esportista precisará de outras peculiaridades como um forro de flanela feito de poliamida. Os pequenos fios da flanela formam um colchão de ar entre o corpo e a roupa. Esse ar mantém o corpo aquecido”, acrescenta.

Para o consultor da Santaconstancia, o ideal é que a pessoa treine no frio com mais de uma peça de roupa, formando o efeito “casca de cebola”. “Quanto mais intenso o frio, mais camadas de ar serão formadas entre as roupas. Conforme você for se aquecendo, você pode ir eliminando as peças”, conta.

Já no calor a preocupação do atleta será em liberar mais rápido o suor e manter a temperatura do corpo mais baixa. Por isso a roupa deve ser leve e usar a estrutura de malha, que tem mais porosidade.

Também no calor é comum treinar com sol. Conseqüentemente, o atleta correrá risco de se queimar e a longo prazo poderá até desenvolver um câncer de pele. Para evitar esse inconveniente, muitos tecidos da Santaconstancia têm proteção UV. “Com a proteção, o raio solar bate na roupa e volta. Isso não irá fazer muita diferença se usado numa única prova. Mas aquele atleta que treina todos os dias irá sentir diferença. Ele estará se prevenindo de um câncer de pele”.

Roupa para triathlon

Antes de treinar o atleta deve observar a condição do tempo para então definir o tipo de roupa que irá usar. “O processo é igual ao pneu de Fórmula 1. Se estiver calor eu vou usar um tecido leve, que não gruda no corpo e que permite a rápida evaporação do meu suor. Já no frio eu vou colocar um corta-vento ou uma camiseta de manga longa, mas o tecido não pode ficar molhado e ao mesmo tempo tem que me manter aquecido”, conta Favilla.

E no caso do triathlon, modalidade que envolve natação, ciclismo e corrida, qual roupa o triathleta deve usar? Para esse caso a Santaconstancia desenvolveu junto com o argentino Oscar Galindez, atual campeão do Ironman Brasil, o tecido Sportiva Pro. Segundo a marca, foram nove meses de testes com o triathleta que observou compressão, alongamento, leveza, tipo de acabamento e aparência do tecido.

A roupa, uma espécie de macaquinho, tem secagem rápida para eliminar a água da natação. Além disso, permite uma rápida troca de calor e usa um processo que evita rasgos em caso de acidente na bicicleta.

Mas o grande diferencial é a compreensão do tecido. Através do elastano, os músculos ficam mais comprimidos e isso evita lesões. A estréia do tecido foi no último Ironman e segundo Galindez, a novidade foi aprovada.

Por isso, fique atento na hora de escolher a sua roupa de treino. Você pode se beneficiar se optar por peças corretas, pois não há nada mais desagradavél quando você se sente desconfortável.

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