iPhone - saiba mais sobre esta revolução
O iPhone entra em venda em 29 de junho de 2.007, mas Steve Jobs, o presidente-executivo da Apple, já começou a mudar a percepção do público quanto aos celulares, de uma forma rápida de ligar para um amigo a um aparelho charmoso e capaz de lidar com toda espécie de mídia. Ao fazê-lo, ele forçou os executivos do cinema e da telefonia móvel a reagir por meio de investimento pesado nas mais recentes tendências, sob pena de ficarem para trás caso optem por ignorá-la.
Os fabricantes de celulares estão correndo para oferecer novos produtos capazes de competir com a tela de toque do iPhone. As operadoras de telefonia móvel também parecem mais dispostas a ouvir os conselhos de seus parceiros. E, em Hollywood, onde as táticas nada convencionais de Jobs são conhecidas, os executivos de mídia estão se preparando avidamente para uma nova era, e esperam ser capazes de colocar mais conteúdo no lugar mais importante: as mãos dos consumidores.
Dois anos atrás, David Ulmer, diretor sênior de produtos de entretenimento na Motorola, e seus colegas receberam um “não, obrigado”, como resposta das operadoras de telefonia móvel, ao tentarem propor um celular equipado com tela de toque. “Agora, estamos encontrando muito mais facilidade para convencer as pessoas a conversar conosco”, disse Ulmer. “A Apple mudou a percepção quanto aos atrativos de um celular. Agora, todo mundo quer aderir. É um mundo inteiramente novo. Estamos negociando com todo mundo: Universal Studios, Time Warner, o mercado inteiro”.
Mas talvez a maior mudança seja a idéia de que, em futuro não tão distante, esses diversos grupos ¿ que até o momento vêm colaborando, ainda que a contragosto - possam se tornar concorrentes, à medida que os consumidores exigem mais e melhor acesso à mídia, e passam a se incomodar menos e menos com quem o oferece.
Há anos, operadoras de telefonia móvel como AT&T, Verizon Wireless e Sprint vêm controlando severamente aquilo que os usuários de celulares podem assistir, quando podem fazê-lo e em que tela o farão ¿ mais ou menos como as redes faziam, na televisão, antes que as novas tecnologias as forçassem a relaxar seu domínio. Muita gente, em Hollywood e no Vale do Silício, espera que os recursos multimídia do iPhone venham a facilitar aos consumidores mais apegados aos seus celulares a realização de atividades semelhantes às que se acostumaram na web: assistir a seus programas de TV favoritos, baixar mapas, enviar mensagens de e-mail a amigos e trocar arquivos de vídeo.
Na primeira das muitas tentativas vindouras de tornar o uso da web mais prático nos celulares, a Apple criou um aplicativo próprio para que usuários possam receber vídeos do YouTube via rede Wi-Fi. Com isso, mais consumidores deixarão completamente de lado as redes convencionais de telefonia sem fio. Essa perspectiva, embora atraia as fabricantes de celulares e as empresas de mídia, assusta as operadoras, caso os consumidores comecem a considerá-las irrelevantes.
“O vídeo, em especial, tinha um muro em sua frente”, disse John Smelzer, gerente geral de operações móveis da Fox Interactive Media, em referência ao acesso limitado e complicado da maioria dos consumidores a notícias, esportes e entretenimento, em seus celulares convencionais. “É a antítese do que vem acontecendo na web. Qualquer aparelho que reproduza a experiência da Internet é bom para todo o setor. Isso nos ajudará a encontrar uma audiência de massa”, disse.
Até mesmo os concorrentes de Jobs, que não demoraram a apontar as limitações do iPhone, como o fato de que só esteja disponível via AT&T, dizem que ele provavelmente convencerá as relutantes operadoras de telefonia móvel a prestar mais atenção aos desejos de seus usuários. “O iPhone é um aparelho fantástico, mas eles não controlam a rede”, disse Craig Shapiro, vice-presidente de estratégia e aquisição de conteúdo na Helio, uma fabricante de celulares e provedora de serviços para eles. “Para que essas coisas funcionem, porém, é preciso que todo mundo se integre ao programa”.
As empresas de comunicação sabem que precisam se adaptar ou correm o risco de ficar para trás. Glenn Lurie, presidente de distribuição nacional das operações de telefonia móvel da AT&T, disse em entrevista que foi precisa a intervenção de um fator externo, como Jobs, para gerar interesse quanto ao potencial dos celulares de parte do setor de telefonia móvel. “A telefonia móvel existe há 20 anos, e as pessoas sempre a consideraram um negócio bastante complexo”, disse Lurie. “Jobs e a equipe da Apple decidiram tratar a questão de uma perspectiva diferente”.
O mais importante é que os proprietários de produtos Apple costumam se manter fiéis. Um recente artigo na Harvard Business Review afirmava que, em contraste com os compradores de bens eletrônicos de consumo, os clientes de serviços de telefonia móvel estão entre os mais insatisfeitos do mercado. Os planos, preços e serviços são confusos. Os contratos são restritivos. A qualidade de serviço das operadoras é imprevisível. E as primeiras tentativas de oferecer vídeo causaram mais frustração que atração.
“Elas não facilitam a vida dos usuários”, disse Bill Sanders, vice-presidente de programação para aparelhos móveis na Sony Pictures Television International. “Todo mundo com quem converso diz que há isso e aquilo de errado com o iPhone. Mas os consumidores mal podem esperar para tê-lo nas mãos. Isso é porque a Apple torna suas vidas mais fáceis”.
Vai começar a revolução do iPhone
No início da era digital, havia o microcomputador – um bicho estranho, limitado e difícil de usar. Aí, Steve Jobs disse: faça-se a luz! O Macintosh, em 1984, deu início à era do computador pessoal – com mouse, ícones e menus na tela, ou seja, que gente comum conseguia (e queria) usar. Muito tempo depois, nos anos 90, surgia o toca-MP3: cujas primeiras encarnações, adivinhe só, eram uma droga.
Mais uma vez, o criador da Apple usou seus superpoderes e deu à luz um produto mágico – o iPod, que virou um ícone de desejo e transformou a maneira de ouvir música.
Mas e agora, em 2007? E agora prepare-se. Na próxima sexta-feira, chega às lojas dos Estados Unidos o mítico iPhone – com o qual a Apple pretende, desta vez, revolucionar o mundo dos celulares. É um desafio gigantesco – afinal, o celular é o aparelho digital mais bem-sucedido da história. Mais de 1 bilhão de pessoas já têm o seu.
Mas o iPhone parece preparado para conquistar os corações, as mentes e o bolso dessa gente. Sabe por quê? Além de fazer ligações, ele navega na internet, tira fotos, roda músicas e vídeos. Mas peraí… já existem diversos celulares que fazem tudo isso. Qual a diferença?
Como você vai sentir vendo o iPhone em ação – veja na página 8 e confira no site do Link uma galeria especial com vídeos –, ele é simplesmente arrebatador. Mistura design belíssimo, tecnologias inéditas, recursos exclusivos e, acima de tudo, uma facilidade de uso jamais vista (afinal, hoje em dia quem é que consegue usar todos os recursos do celular?).
O iPhone é tão avançado, mas tão avançado, que nos Estados Unidos já ganhou um apelido: “Jesus phone”. Steve Jobs não é Deus. Mas o iPhone realmente chega a parecer uma obra digital divina.
E o motivo é simples: ao contrário dos celulares comuns, ele não tem botões. Ou melhor, tem alguns – para você ligar o bicho, ajustar o volume ou ativar o modo silencioso. Mas, fora isso, tudo é feito na própria tela, que é sensível ao toque.
Ao contrário dos atuais smartphones (celulares topo de linha, com funções de palmtop), o iPhone não tem teclado, nem aquela “canetinha” para clicar nos ícones. Você faz tudo usando os dedos.
O aparelho se ajusta sozinho à luminosidade do ambiente, e também sabe se está na horizontal ou na vertical – e aí adapta automaticamente seus controles. Quando você encosta o aparelho ao rosto, para falar, o iPhone percebe – e desliga a tela pra economizar bateria.
Genial, não? Mas tem mais: o iPhone também toca músicas e vídeos. E acessa a internet usando um navegador revolucionário, que adapta os sites para a telinha do aparelho.
Tudo muito bom. Mas vale a pena trocar o seu celular atual? Afinal, boa parte das pessoas não precisa de um telefone tão sofisticado. Mas e quem gosta de tecnologia, pode viver sem o iPhone? Quando ele vai chegar ao Brasil, e quanto vai custar? Quais os pontos fracos (que, sim, existem)? E as atuais gigantes da telefonia, o que estão preparando para responder?
Aparelho traz tecnologias inéditas
Caixa postal visual, navegador inteligente, CoverFlow, sensores de luz e posição… veja todas as novidades do iPhone
Antes de conhecer a fundo o iPhone, fique sabendo de uma coisa: ele ainda vai demorar para chegar ao Brasil – ao que tudo indica, só desembarcará aqui em 2008, depois dos lançamentos na Europa e na Ásia.
A operadora Vivo, por exemplo, revela que já procurou a Apple – mas a empresa de Steve Jobs simplesmente não respondeu. E não adianta você tentar comprar um iPhone por conta própria, durante uma visita ao exterior: ele é bloqueado, ou seja, só funciona na rede da operadora americana AT&T.
Quando o iPhone chegar oficialmente por aqui, deverá custar em torno de R$ 2 mil – vai disputar o mercado de smartphones e aparelhos topo de linha. Nessa briga, o iPhone tem tudo para destruir os rivais.
Mas, com o tempo, poderá tomar também os outros segmentos do mercado. Tudo dependerá da Apple. Quando foi lançado nos EUA, em 2004, o Motorola Razr custava o mesmo que o iPhone vai custar – US$ 500. Hoje, é um produto de massa.
COMO FUNCIONA?
Para você entender como o iPhone é diferente, veja o seguinte exemplo. Hoje em dia, quando há mensagens na caixa postal do seu celular, é preciso fazer uma certa ginástica para ouvi-las. Você disca um número fornecido pela operadora, e em seguida tecla a sua senha.
Aí, uma voz robotizada vai enumerando, lentamente, as suas opções: “para ouvir, tecle 1; apagar, tecle 2”, etc e tal. Você precisa seguir esse procedimento com todas as mensagens, uma por uma. É um inferno.
Já o iPhone é completamente diferente. Basta clicar em “Phone” e selecionar “Messages”. Aí, todas as suas mensagens aparecem na tela, numa listinha que mostra o autor e o horário de cada recado. Você escolhe, com um clique, qual mensagem quer ouvir ou apagar. Ou seja: vê tudo, e vai direto ao que quer. Não é preciso ficar ouvindo os recados um por um.
O iPhone também é multitarefa. Está falando com alguém, por exemplo, e quer combinar o jantar? Com dois cliques, você acessa o Google Maps e procura um restaurante. Tudo isso, claro, sem interromper a ligação – e como o iPhone tem viva-voz, dá para continuar batendo papo enquanto você busca no Google Maps. Tente fazer isso no seu celular atual.
O iPhone também é, claro, um iPod. Mas com uma novidade: em vez de selecionar as músicas usando a famosa “rodinha”, basta deslizar o dedo pela tela. Dá para navegar pelas músicas no modo “tradicional”, ou seja, rolando por uma lista de álbuns e intérpretes, ou então ver as capinhas dos discos em 3D, pelo modo Cover Flow. O efeito é muito bonito – veja acima.
O navegador do iPhone é muito diferente do que existe hoje em dia. Se você já tentou acessar a internet no seu celular, ou mesmo num palmtop (que, como o iPhone, tem tela um pouco maior), sabe que geralmente não dá certo.
Como os sites foram projetados para uso no computador de mesa, simplesmente não cabem na telinha do celular.
Ou o telefone te obriga a ficar rolando a tela pra lá e pra cá, ou então o navegador tenta “reformatar” a página, adaptando-a para a telinha do celular – e, nesse processo, acaba detonando o visual do site. Parece que ele foi jogado num liquidificador.
O navegador do Safari promete uma solução mais elegante. Você vê a página inteira. Aí, com um toque do dedo, escolhe o texto ou o link que deseja acessar. E o iPhone dá um zoom naquele pedacinho da página.
Parece elementar, não? Mas é uma tecnologia bem sofisticada – o navegador precisa ter uma certa “inteligência artificial” para identificar e separar cada elemento da página, e dar o zoom de maneira correta.
Nas demonstrações da Apple, o navegador do iPhone parece excelente. Mas só o tempo dirá se o zoom vai funcionar direito com todas as páginas da web.
O navegador não é compatível com a tecnologia Flash, ou seja, certamente terá problemas com alguns sites. É por isso, por exemplo, que ele não acessará o YouTube “tradicional” – só uma versão especialmente adaptada para o iPhone.
Outro recurso que pode ou não dar certo é o teclado virtual do iPhone. Quando você vai digitar alguma coisa – um torpedo, um email ou o endereço de um site –, as teclas aparecem automaticamente na tela. Alguns analistas estão preocupados com o tamanho dessas teclas, que parecem ser muito pequenas. O próprio Steve Jobs admitiu: disse que “são necessarios alguns dias (de uso) para se acostumar” ao teclado.
Estranhamente, o iPhone não vem com mensageiro instantâneo. Mas já surgiu um software que promete suprir essa ausência. Aliás, estão aparecendo vários softwares para o iPhone – fala-se até em games fornecidos pela Nintendo (mas é só um rumor). Veja os lançamentos concretos em http://iphoneapplicationlist.com.
Conexão e falta de GPS são problemas
O iPhone é incrível – mas, como tudo na vida, não é perfeito. Na verdade, ele está longe da perfeição: tem uma série de deficiências importantes, algumas das quais graves. E difíceis de entender.
A câmera digital embutida no iPhone, por exemplo, tem resolução de apenas 2 megapixels – bem inferior aos telefones mais sofisticados, que chegam a 5 megapixels.
Até aí, vá lá. Agora, como explicar que o iPhone não tenha conexão do tipo 3G, que permite navegar na internet em alta velocidade?
É isso mesmo. Para se conectar à web, o supercelular da Apple usa uma tecnologia meia-boca: é a EDGE (Enhanced Data for GSM Evolution), cuja velocidade fica em torno de 50 Kbps.
É uma velocidade bastante baixa – que certamente vai atrapalhar o uso do YouTube e do Google Maps no telefone.
Por outro lado, o iPhone tem antena do tipo Wi-Fi, ou seja, se você estiver num lugar onde haja rede sem fios, pode navegar em alta velocidade. Isso remedia o problema.
Mesmo assim, a decisão de ignorar a tecnologia 3G é no mínimo estranha. Como a Apple não comenta, ninguém sabe por que a empresa fez isso.
Alguns analistas especulam que o problema estaria na bateria do celular da Apple – supostamente, o acesso a redes 3G consome muita energia.
Falando nisso, a bateria do iPhone é uma grande incógnita. A combinação de tela grande (3,5 polegadas) e recursos avançados está levando muita gente a duvidar da autonomia do celular da Apple – afinal, ele tende a devorar a bateria.
A empresa se defende, alegando que a bateria dura muito: 6 horas navegando na internet ou 8 horas falando ou 24 horas tocando música. Ou então impressionantes dez dias no modo de espera (stand-by).
São marcas tão boas, mas tão boas, que foram recebidas com ceticismo pelo mercado.
O tempo dirá se a bateria do iPhone é ou não boa. O mesmo vale para a tela, que fica completamente exposta – e, portanto, sujeita a riscos e arranhões.
A Apple diz que o iPhone é o primeiro aparelho touchscreen com tela de vidro, ou seja, mais resistente a arranhões (como o vidro do seu relógio).
Já uma deficiência do iPhone certamente se fará sentir: ele não tem localizador GPS, ou seja, não sabe onde está.
Isso prejudica bastante o uso do Google Maps. Se você quiser encontrar uma pizzaria, por exemplo, e digitar essa palavra no buscador do iPhone, como ele vai saber qual pizzaria mostrar – uma de São Paulo, ou de Portugal? Provavelmente, será possível cadastrar previamente a sua cidade na memória do telefone. Mas seria melhor ter um localizador GPS.
Fonte: Portal Terra - Tecnologia e Link - Estadão
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