Memória - saiba mais como ela funciona
A memória reflete a capacidade de manter a informação dentro de um sistema de estocagem interno, de forma que ela possa ser acessada e utilizada posteriormente. A memória humana é um processo cognitivo complexo, que se manifesta em múltiplas vias paralelas, distribuindo a memória humana em vários “compartimentos”, que seriam:
- Memória de Curto Prazo: capacidade de recordar informações logo após sua apresentação. É de capacidade limitada, ou seja, cerca de sete informações de cada vez. Ela permanece disponível por alguns minutos, mas se perde ou é substituída por nova informação, caso não seja muito estimulada, como através de repetições sucessivas e exercícios de recordação posteriores.
- Memória de Longo Prazo: capacidade de recordar informações mais tardiamente. Tem capacidade extraordinariamente grande, conseguindo reter informações por período indeterminado, sem necessidade de reforço.
- Memória Anterógrada e Retrógrada: memória anterógrada é a capacidade de armazenar novas informações a partir de um determinado momento. Memória retrógrada é a capacidade de se lembrar de informações ou eventos que ocorreram antes de um momento específico no tempo.
- Memória Recente e Remota: são duas subdivisões da memória retrógrada. A memória recente refere-se a informações adquiridas há pouco tempo (dias, semanas); memória remota refere-se a informações armazenadas há meses ou anos.
- Memória Declarativa e Não-Declarativa: a memória declarativa refere-se à aquisição de fatos, experiências e informações sobre eventos; é a memória diretamente acessível à consciência, podendo ser “declarada”. A memória não-declarativa refere-se a várias formas de memória não diretamente acessíveis pela consciência (ou seja, circunstâncias nas quais a memória é expressa por meio de desempenho e não “declaração”).
- Memória Episódica: é um subtipo de memória declarativa, que se refere a informações ligadas a um determinado local e momento. Para relembrar tal informação, deve-se recordar também o contexto espacial e temporal.
- Memória Semântica: é o segundo tipo de memória declarativa, que se refere ao conhecimento geral de fatos ou informações que não estão ligados a um contexto temporal e espacial específico.
Que caminho ou que truques utilizamos para arquivar e depois resgatar algo memorizado?
Um truque muito usado, principalmente por estudantes de pré-vestibular, e estimulado por seus professores é a codificação, processo pelo qual a informação é adquirida e convertida em uma representação mental arquivada (a informação é transformada em uma música ou em uma imagem gráfica, por exemplo). Essa informação é então armazenada por um processo de retenção, processo pelo qual a informação codificada é mantida ao longo do tempo, sem necessidade de reforço.
No momento que a informação é necessitada, entramos na fase do resgate, processo pelo qual a informação é rastreada e trazida novamente ao nível do consciente, quando então será utilizada.
Por que a memória diminui?
Os distúrbios da memória podem ser observados em vários contextos, inclusive com o processo normal de envelhecimento. Cientistas sugerem que lapsos momentâneos de memória, manifestados por esquecimentos corriqueiros do dia a dia, podem ser um sinal precoce de senilidade.
No primeiro estudo a respeito, especialistas em envelhecimento, memória e aprendizado coletaram evidências científicas fortes de que indivíduos que enfrentam lapsos de esquecimento estão sob risco aumentado de declínio de memória, que pode eventualmente progredir para doença de Alzheimer, em comparação com indivíduos que não observam alterações mentais deste tipo. Os resultados destes estudos foram apresentados no First Annual Dementia Congress, em Chicago, pelo Dr. Gary Small, em 2002. Segundo os pesquisadores, estes sinais de falha de memória podem se iniciar precocemente, mesmo aos 20 anos.
Informações recentes também falam contra a obesidade e o diabetes. Estes dois vilões danificariam os vasos sanguíneos cerebrais, aumentando e tornando precoce a perda da memória.
Deficiências importantes de vitaminas do complexo B podem levar à perda de peso intensa e também à perda de memória e até à confusão mental, de acordo com Mauro Fisberg, do Centro de Adolescentes da Unifesp (2003). Estudo com amostras populacionais constataram que a carência dessas vitaminas é um dos déficits nutricionais com maior incidência na população mundial, principalmente em indivíduos em fase de crescimento.
O uso continuado de medicamentos, como os Benzodiazepínicos, anticolinérgicos (por exemplo a escopolamina), antidepressivos heterocíclicos (imipramina, amitriptilina) anti-histamínicos, anti-parkinsonianos (como a benztropina) e alguns neurolépticos (por exemplo, as fenotiazinas), também se correlacionam à diminuição precoce da memória.
Outro fator que prejudica nossa memória é a ansiedade, principalmente quando ela ocorre na infância. A presença de ansiedade na infância, independente do subtipo, associou-se com maior risco de surgimento de déficits de memória, segundo estudos publicados em maio de 2006.
O Envelhecimento Normal
Os idosos comumente se queixam que sua memória não é mais confiável, e os estudos confirmam uma relação negativa entre a idade e o desempenho em testes de aprendizado e memória. Os transtornos da memória, associados ao envelhecimento normal, tendem a refletir um declínio generalizado na eficiência com a qual a informação é processada e acessada. A memória de curto prazo é bem preservada, a não ser que exista uma sobrecarga. Com relação à memória de longo prazo, na quinta década de vida já se evidencia o acometimento da capacidade de recordar histórias e listas de palavras. Parece que ocorre um comprometimento da capacidade de resgatar a informação, e não da codificação e da retenção.
Dicas para melhorar sua memória
A ciência ainda se encontra muito atrasada no que diz respeito às descobertas sobre o funcionamento cerebral. Uma área, que certamente ainda está engatinhando, é a relacionada à memória. Poucas novidades existem, mas algumas dicas podem ser dadas, para que você melhore seu desempenho cerebral e sua memória.
Fitness cerebral
Os exercícios cerebrais, feitos de maneira rotineira, apresentam efeitos muito positivos. Semelhante ao que ocorre com exercícios musculares realizados para se manter a forma física, a atividade cerebral também deve ser realizada com freqüência, procurando sempre estimular nossos principais sentidos: olfato, gosto, tato, visão e audição, bem como nossa memória e inteligência. Esse tipo de exercício pode ser denominado “Fitness” Cerebral, que é a capacidade de se manter em um estado adequado, em forma.
O declínio de nossas funções mentais, que ocorre com a idade, se deve em grande parte à falta de atividade mental que com freqüência segue paralelamente ao envelhecimento. Vários trabalhos científicos realizados em diversos países demonstram claramente que o declínio mental que ocorre com a idade pode ser evitado.
O treinamento da memória por estratégias, como associação de palavras em grupos, podem ser úteis para pessoas com dificuldade de memória, seja devido a uma doença, a uma lesão ou pela idade. Motivação também é importante na execução de tarefas. As estratégias de memorização podem promover mudanças no padrão de funcionamento dos neurônios e reabilitar a memória de forma eficaz. É o que sugere uma pesquisa de doutorado da Faculdade de Medicina da USP. “Após os treinos de memorização foram observadas diferenças não apenas na recordação dos itens propostos, mas na forma de atuar do cérebro”, diz Suzan Iaki, autora da tese. A contínua atividade intelectual, como a leitura, exercícios de memória, palavras cruzadas e jogo de xadrez também auxiliam na manutenção da memória.
O conceito de que a função faz o órgão aplica-se tanto ao “fitness” muscular quanto ao “fitness” cerebral. Devemos identificar nossas diversas habilidades mentais e exercitá-las, sempre com regularidade. Devemos estimular nossas percepções, nossa memória (recente e antiga), noções espaciais, habilidades lógicas e verbais, etc.
Os exercícios cerebrais nada mais são do que estímulos às funções cerebrais, que podem estar decadentes devido à idade e que já foram ativas no passado. A ativação deve ser feita diariamente, durante as atividades normais, como o caminhar, durante as refeições ou mesmo durante as compras.
Todo dia procure observar um objeto ou pessoa e desenhe suas principais características. No fim de semana procure recordar as figuras. É um tipo de exercício de memória.
Procure identificar ingredientes dos alimentos pelo gosto e cheiro. Faça isto diariamente e depois procure recordar dos mesmos. Memorize os preços das coisas sempre que possível e procure recordá-las mais tarde.
Procure identificar as pessoas pela voz, ao usar o telefone, por exemplo. Memorize números de telefones. Memorize no fim do dia as pessoas com quem falou. Depois, procure lembrar-se do mesmo para toda semana. Utilize sempre de anotações para consultas posteriores.
Inúmeras outras situações podem ser criadas a partir destas idéias.
Recentes descobertas também mostraram o que pode piorar a nossa memória. Uma equipe de pesquisadores descobriu outra razão para as pessoas emagrecerem. A glicose elevada pode contribuir para a perda de memória. De acordo com este estudo, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, as pessoas de meia idade ou os idosos com glicose elevada possuem um hipocampo menor, região do cérebro relacionada com memória recente.
O hormônio que controla a fome, a leptina, também pode contribuir para aumentar a memória, de acordo com um estudo realizado na Grã-Bretanha e apresentado na conferência anual de Bio Science, em Glasgow, na Escócia.
Verduras também ajudam a combater o envelhecimento cerebral. O hábito de comer saladas diariamente poderia ajudar a retardar o envelhecimento do cérebro, após os 65 anos. Investigadores do Chicago’s Rush University Medical Center, estudaram mais de 3.700 indivíduos, com 65 anos ou mais, entre 1993 e 2002. Os participantes realizaram testes de habilidade mental, incluindo testes de memória e de atenção, quando o estudo se iniciou. Após períodos de 3 e de seis anos, esses testes foram repetidos. Além disso, os indivíduos completaram pesquisas acerca de seus hábitos alimentares, incluindo uma lista de 28 vegetais e 14 frutas.
Os pesquisadores dividiram os participantes em cinco grupos, segundo a ingestão média diária de vegetais. A ingestão variou de menos de uma porção, até quatro porções por dia, de verduras. Nos resultados observados, todos os participantes mostraram algum grau de envelhecimento mental com o passar dos anos. Porém, o envelhecimento anual foi 40% menor, nas pessoas que ingeriram maior quantidade de vegetais - três ou quatro porções diárias - se comparados com aquelas que ingeriram menos de uma porção ao dia. Já a ingestão de frutas não alterou o envelhecimento cerebral.
Segundo os pesquisadores, a razão para este efeito benéfico, poderia estar no fato de que os vegetais são ricos em vitamina E, que diminuiria o efeito negativo das gorduras dos alimentos.
Medicamentos para a memória
Não se conhece, até o momento, qualquer tipo de medicação capaz de melhorar a memória. As inúmeras medicações existentes no comércio, que dizem combater a perda de memória ou ativar o metabolismo cerebral, são placebos, sem qualquer ação objetiva sobre a memória e em geral são constituídas somente por vitaminas.
A diminuição da memória que ocorre na 3a. idade, na grande maioria das vezes é absolutamente benigna, mas freqüentemente, por falta de melhor informação, angustia o idoso, que tem dificuldade de aceitá-la como um fato normal. A perfeita compreensão do fato inexorável e a utilização de uma agenda para as anotações dos fatos recentes, ajudam a conviver satisfatoriamente com o problema.
Duas novas drogas podem ser promissoras para o tratamento da memória, mas estão ainda em fase de teste. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e da Universidade de Surrey, na Inglaterra, anunciaram os resultados dos primeiros testes clínicos, de um novo princípio ativo para melhorar a memória e o desempenho cognitivo. A droga, até o momento chamada de CX717, melhora a comunicação entre os neurônios e, conseqüentemente, facilita o aprendizado e o acesso à memória.
Outra descoberta, publicada em maio de 2005, foi anunciada como a “pílula da memória”. Cientistas da Universidade da Califórnia afirmaram ter inventado uma pílula que pode estimular a memória e que já estaria em fase de testes. O criador da droga, Gary Lynch, afirmou à revista New Scientist que ela poderia ser usada para recuperar pessoas em estado de cansaço ou no tratamento de pacientes com Mal de Alzheimer.
Queixas de falta de memória são comuns entre mulheres na menopausa. Agora, uma nova pesquisa, indica que os hormônios, usados para tratar as comuns ondas de calor e outros sintomas da menopausa, podem também melhorar a memória.
Nos resultados encontrados, quando comparadas às mulheres em menopausa que receberam o placebo, aquelas que ingeriram hormônios mostraram um uso mais focado do córtex pré-frontal, sugerindo uma função cerebral mais eficiente.
Como se vê, estudos promissores existem, mas medicamentos efetivos ainda não estão sendo comercializados. O melhor mesmo é a manter uma boa atividade cerebral e ingerir uma alimentação saudável, rica em verduras. Investir nestas duas orientações fará com que seu cérebro fique ativo por muitos e muitos anos.
Fonte: Site Boa Saúde
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