Personal trainers botam cães para correr nos EUA
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Preocupados com a possibilidade de que um filho restringisse demais sua liberdade, Mary Turner e seu marido Richard Shein decidiram suspender seus planos de paternidade e testar como se saíam com um cachorro. A advogada Turner encontrou Bingo, “um filhotinho lindo, cor de canela”, tremendo em uma jaula de um abrigo de animais perto de sua casa, em San Bernardino, Califórnia.
Shein, executivo de um banco de investimento, disse que “ficamos encantados, mas seis meses mais tarde aquele filhote fofinho tinha o tamanho, e o temperamento, de uma onça”. Bingo sofria de insônia e costumava sair de sua casinha às quatro da manhã. Ele apanhava um de seus brinquedos de mastigar, ou um camundongo de verdade, e o depositava sobre a cabeça de Turner ou Shein enquanto eles dormiam.
“Uma noite, ele escapou e picou centenas de rolos de papel higiênico, em pedacinhos minúsculos que se espalharam por toda a casa”, ela conta. “Nós achávamos que vida de cachorro se referisse ao cachorro, mas que nada”, diz Shein.
O casal consultou um veterinário, explicando que levavam Bingo a passeios de manhã e de noite, e que uma pessoa o levava a passear na metade do dia. Mas o veterinário disse que “passeios não são o bastante, para alguns cachorros. Os animais grandes e enérgicos precisam de muito exercício. Bingo precisa correr”.
O casal não costuma correr, mas um vizinho, universitário, se exercita dessa forma, e Shein implorou que levasse Bingo com ele. “Agora, Bingo corre com ele quase todos os dias”, diz Shein. “Nós pagamos US$ 20 para que ele leve o cachorro, o dobro do que custava o trabalho da pessoa que o levava a passear, mas depois da corrida Bingo come e cai em sono profundo e ininterrupto”. “E nós também”, diz Turner.
O casal encontrou sem ajuda alguém que corra com seu cachorro, mas em número crescente de cidades basta perguntar aos freqüentadores de parques caninos ou procurar no Google para encontrar um profissional desse ramo. Em uma era na qual os proprietários afluentes de animais de estimação os mimam com massagens, antidepressivos e férias em spas, não surpreende que os cachorros disponham do equivalente a um personal trainer humano.
“Correr com cachorros era desconhecido e agora é moda”, disse William Sharp, que trabalha em tempo parcial levando cachorros para passear em San Francisco. “As pessoas gostam de contar aos amigos coisas como “tive de deixar a chave para o cara que corre com Fifi”. Parece muito mais atraente do que alguém que leve o cachorro a passear, uma prática tão obsoleta”. Sua freguesia diminuiu, ele diz, “porque os corredores literalmente me deixaram na poeira”.
Contratar alguém para correr com o cachorro não é só moda. “Muita gente veio a compreender que seus cachorros precisam de mais exercício do que elas podem oferecer”, disse a Dra. Monica Clare, especialista em tratamento crítico no Centro Cirúrgico e de Emergências Veterinárias de Los Angeles. “Passear com o cachorro é bom, mas alguns cachorros precisam de mais exercício, e as pessoas que correm com eles podem provê-lo”.
Seth Chodosh, um dos fundadores da Running Paws, em Manhattan, tem 150 clientes por semana procurando corridas para seus cachorros, e seu negócio vem crescendo em 20% ao ano. “Algumas pessoas nos procuram porque seus cachorros estão gordos e precisam perder peso”, ele diz. “Os cachorros de outros são ativos demais, e precisam correr para gastar a energia excedente”.
Alguns proprietários sedentários pagam para que os cachorros corram os quilômetros que eles não podem percorrer. “Em alguns casos as pessoas fazem pelos cachorros o que não fazem por elas mesmas”, disse Josh Schermer, fundador da nycdogrunners.com, também em Manhattan. “Eles sabem que deveriam ir à academia. Deveriam comer melhor. Deveriam correr. Por isso, fazem com que seus cachorros vivam assim”.
A nycdogrunners.com, de Schermer, emprega sete corredores. A Running Paw tem 24 deles em sua equipe. Muitos são maratonistas. Mas, já que se trata de Nova York, muitos também são atores, romancistas, estudantes e cantores. “Temos até um dramaturgo tentando começar a carreira”, alardeia Chodosh.
“É um bom trabalho de tempo parcial para pessoas que têm empregos noturnos, pessoas que correm e pessoas que gostam de cachorros”, disse. Elas tipicamente faturam US$ 20 a US$ 35 por cachorro em cada corrida. As empresas cobram de US$ 28 a US$ 40, dependendo do horário procurado. (As corridas duram entre 30 e 45 minutos, a depender do cachorro.) Um corredor freelancer pode cobrar mais barato.
A bem da segurança, as empresas tendem a permitir um máximo de dois cachorros para cada corredor. “É preciso atenção constante aos seus cachorros, outros cachorros e aos transeuntes”, diz Roy Scranton, 30 anos, um dos corredores da Dog Paws. “Se você é um sujeito correndo a plena velocidade por Nova York acompanhado por um sabujo e um weimaraner, o potencial de incidentes de toda espécie é elevado”.
Nem todo mundo gosta da idéia de terceirizar os exercícios dos animais domésticos. “Uma das alegrias de ter um cachorro é que eles fazem com que os proprietários saiam mais de casa”, disse Miles Richards, executivo publicitário de Manhattan que diz que não contrataria uma pessoa para correr com o seu dálmata, Corky. Richards, que pratica corridas de fundo, disse que “se você está ocupado demais para dedicar tempo ao seu cachorro e prover o exercício de que ele precisa, você nem deveria ter um cachorro, para começar”.
Mas os corredores oferecem alternativa viável aos proprietários ocupados, bem como cuidados especiais. Os corredores da Running Paws levam água para os cachorros e prestam atenção a sinais de esgotamento. Eles verificam as patas dos animais antes, durante e depois da corrida, segundo Chodosh. “Sempre começamos muito devagar. Não queremos que as línguas dos cachorros se arrastem pelo chão”.
Fonte: Portal Terra
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